domingo, 9 de novembro de 2008

Drogas e violência, os dependentes da educação!

Tanto tempo se drogando, estagnado, desempregado, vendo sua mãe passar dificuldades financeiras e seu pai com problemas de saúde. Filho rejeitado, que na sua vida ficaram rastros da violência do pai, e que hoje, como diz o ditado, o feitiço está voltando contra o feiticeiro.

Não faz mais nada além de usar drogas e se aproveitar da comida, bebida e dormida na casa dos pais. Todo dia, algo é arremaçado contra a parede ou algum de seus pais sofrem com a violência do filho vadio.

Infância difícil. Sem brinquedos, sem amigos, sem carinho, sem amor. Uma criança que desde o início de sua adolecência teve de fugir de casa para desertar-se das violências do pai, que nunca teve nada na vida, um homem que plagiava a mulher para beber, e hoje sofre de cirrose. Sua mãe tentava o proteger, mas a submissão pelo marido a deixava fraca, amedrontada, incapaz de proteger o próprio filho.

Esse seu ódio, temor, causa um constrangimento ao pai, que se sente, com razão, culpado de todo fato ocorrido durante a criação do filho. A submissão agora vem dele, que é violentado pela mesma pessoa que violentou durante a adolescência.

A maioria dos casos ocorrem pelo mesmo motivo. A má criação e educação dos pais aos filhos na fase da adolescência causa uma grande perturbação ao garoto, fazendo com que seus atos mudem repentinamente e fiquem cada vez mais agressivos. As pessoas nascem puras, a vida é que levam-nas para seus "destinos".

Ramón Fernandes.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Um momento,


Dê um momento de luz a quem vive de sombras,
Dê um momento de fé a quem não sabe crer.
Um momento, uma pausa, um minuto para pensar no que a vida há de ser.
Um momento, eu lhe peço para um mundo sem sucessos, para moça que caminha apreçada com seu olhar perdido sem crenças e esperanças, um momento é preciso.
Dê-me apenas um momento e eu mostrarei a quem mereçe este tão magnifico mundo.

Um instante a que pertenço, sou efêmero sou gigante, e em apenas um momento posso ser o que quizer, posso tentar ser a paz a quem todos desejam ou apenas ser o ódio a quem todos cultivam.
Um momento, para um mundo que não para um segundo, um minuto ou dois para quem se atreve a amar alguém que pertence a esse mundo onde valores escorrem pelos ralos e esgotos dessas ruas sujas e cheias de verdades escuras.

Um momento a quem e atreve sorrir nesses dias de matar ou morrer.

Intuição Enigmática

Quando penso em ti, meus olhos ficam a brilhar, meu coração palpita, e sente que você está a chegar. Quando penso em ti, meu corpo fica tremulo, fico angustiado, esperando por você. Sinto tanto sua falta, seus carinhos verdadeiros, sua presença que me deixa mais feliz. Quando fico longe de ti, sinto um vazio dentro de mim, acho que estou apaixonado. Sempre me pergunto o que está acontecendo dentro de mim, vejo que estou muito estranho, como se houvesse um parasita dentro de mim. Sua distância me causa uma dor inexplicável.

O que eu posso está a esperar pode ser somente alguma ilusão, algo que possa estar confundindo meus sentimentos, que se forem somente ilusões, causarão mágoas a partir de um amor não correspondido.

Ramón Fernandes

Estiagem


Meus pés com as bordas repletas de rachaduras, meu rosto abarrotado de suor, minha cabeça fervendo, meu estômago vazio, minha garganta seca, meu estado emocional para baixo. Já não tinha mais motivos para viver. Sem trabalho, sem terra para cultivar, minha família faminta, rezando para eu chegar em casa com uma caça, com algo para matar a fome que nos atormentava. Os ultimos centavos que nos restavam não serviam de nada, não havia onde comprar algo.

Avistei de longe, um pobre coitado boi, também lutando para viver. Vagando no assoalho seco, sem comida, sem água. Já voavam sobre o pobre animal abutres esfomeados, alvoroçados, desejando-lhe a morte. Aquele animal, poderia ser a minha salvação. Levantei minha espingarda, que estava suspensa sobre meu ombro, já não havia muita força para levantá-la, mas consegui mirar no animal e com um tiro certeiro, o matei.

Era um animal grande, eu não tinha muita força para carregá-lo. Em minha casa, um pouco distante dali, meus filhos escutaram o fragor do tiro, e vinheram ligeiramente em minha direção com um carro de mão velho que havia pelo terraço. De longe, avistei o sorriso estampado no rosto deles, com o pensamento de que hoje iriam ter algo para comer. É uma grande emoção para mim.

A vida por aqui é catuosa, muitas difculdades para enfrentar. E é assim que vivo aqui, durante os meus 63 anos de idade, com tantas dificuldades que enfrentei, com tantos vai e vem, enfrento tudo isso pela minha família, e sinto muito orgulho, pois meu pai fez o mesmo por mim e por meus irmãos.

Ramón Fernandes.

Alguém.

Preso em mim, preso em um lugar onde não me reconheço, sinto-me assim fora de si.
Penso em mim longe do que sou e do que fui, tentando descobrir apenas mais uma desculpa para ser quem quero ser nesse mundo que insiste em não compreender-me por completo.
Junto a ti, sinto-me só, pois sei que agora não somos mais o que costumavamos ser, perto de nós ninguém pode ouvir a sua voz como eu podia.
Preso estou, aqui ao seu lado como alguém que não te reconhece e nem reconhece a si mesmo e já faz tanto tempo que mudamos que nem sei se ainda posso te julgar como fazia nos tempos em que a paz existia em mim.
Penso em ti, aqui neste lugar junto a mim sendo apenas alguém para quem posso olhar, mas realmente não posso te ver, você não é mais a mesma que costumava ser.
Penso assim, não poder nem ao menos te dizer tudo aquilo que ficou por ser dito no tempo em que me reconhecia em você.
Porque em mim ainda há vestigios de alguém que você costumava ver, aquele alguém que pode perceber quando a sua ultima lágrima cair.
Sendo assim, deixe-me ao menos ver pela ultima vez esses teus olhos sombrios e tentar ser alguém que se importa com você.