quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Alguém.

Preso em mim, preso em um lugar onde não me reconheço, sinto-me assim fora de si.
Penso em mim longe do que sou e do que fui, tentando descobrir apenas mais uma desculpa para ser quem quero ser nesse mundo que insiste em não compreender-me por completo.
Junto a ti, sinto-me só, pois sei que agora não somos mais o que costumavamos ser, perto de nós ninguém pode ouvir a sua voz como eu podia.
Preso estou, aqui ao seu lado como alguém que não te reconhece e nem reconhece a si mesmo e já faz tanto tempo que mudamos que nem sei se ainda posso te julgar como fazia nos tempos em que a paz existia em mim.
Penso em ti, aqui neste lugar junto a mim sendo apenas alguém para quem posso olhar, mas realmente não posso te ver, você não é mais a mesma que costumava ser.
Penso assim, não poder nem ao menos te dizer tudo aquilo que ficou por ser dito no tempo em que me reconhecia em você.
Porque em mim ainda há vestigios de alguém que você costumava ver, aquele alguém que pode perceber quando a sua ultima lágrima cair.
Sendo assim, deixe-me ao menos ver pela ultima vez esses teus olhos sombrios e tentar ser alguém que se importa com você.

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